Thursday, January 26, 2006

Abaixo a Escola não faz falta!


Amigos,
Antes de mais as minhas desculpas por este interregno! Mas como se diz na política e no futebol, e para quem não quer dar mais explicações, foi devido a problemas pessoais inadiáveis.

Preparem-se pois dentro em breve, não sobrará uma única aldeia neste país altamente letrado com Escola Primária. O governo encomendou um estudo a uma empresa credenciada de Angola, chegando esta à conclusão que, o principal erro do Dr. Oliveira Salazar foi construir escolas primárias em praticamente todas as aldeias do País. As escolas primárias, unicamente contribuíram para a consciencialização do povo, descobrindo este que andava a ser enganado, não fossem as escolas e não tinham acontecido essas parvoíces da revolução, liberdade de expressão, etc. No governo já se começa a chegar à conclusão que, quanto menos o povo souber, melhor. Tapam-se os olhos com aquela do transporte dos alunos para a escola mais próxima e num instante os mais desfavorecidos, que precisam dos filhos por perto para ajudarem nas tarefas diárias, rapidamente desistem. Em 10/15 anos, vamos conseguir voltar a ter aldeias em sítios recônditos, com pais e filhos pastores, sem qualquer tipo de alfabetização, com jeitinho, em mais meia dúzia a coisa alastra-se às restantes e o cenário começa a compor-se. Para a opinião pública, diz-se que é muito mau para os meninos não estarem inseridos numa comunidade maior, onde encontrem várias divesidades de pensamento e opinião. Já não interessa agora, como aqui há uns anos atrás por causa da mudança de horário, se os meninos se vão levantar muito cedo ou não, se vão estar muito mais expostos a acidentes com as viagens ou não, só interessam os cifrões que os cofres do estado vão amealhar.
Dizia-a a Sr.ª ministra ontem “…Portugal não tem escolas a mais tem é alunos a menos…” de que é que a Sr.ª Doutora falava?
Ponham a pontuação no titulo e a coisa compõe-se.

11 comments:

Speekcs said...

Abaixo a escola, não, faz falta!

Deve ser mais ou menos isto...nâo!?...

Alex said...

Engraçado esse estudo da empresa angolana. Brilhante conclusão.
Efectivamente, com as legislação que saiu o mais certo é desaparecerem a maiorias das escolas de aldeias de Portugal em poucos anos.
Mais professores e auxiliares para o fundo de desemprego para viver às nossas custas. Lá vão as nossas criancinhas todos os dias num autocarro para a escola e para uma sala a abarrotar de miúdos a vários km de casa.
Temos mesmo que dar o salto... Sim dar o salto do gardafatos para a cama e fazer mais meninos.

JL said...

O título faz-me lembrar a frase do tempo da dita que só a pontuação determinava o sentido.
Abaixo a escola? Não! Faz falta. Ou ainda: Não, faz falta.
O tema é controverso e provoca em mim duas reacções distintas.
A primeira é que compreendo e julgo ser melhor, até, a criação de complexos escolares que garantam às nossas crianças do interior profundo (muito em voga) o acesso às mesmas práticas educativas e formadoras de cidadania, daquelas que vivem perto de tudo, nos grandes centros urbanos.
O problema é que se fecham as escolas sob esse pretexto e com essa garantia, mas a prática raramente confirma as promessas.
A segunda é que, o nosso jardim infantil está na iminência de ser incluído na brilhante conclusão do estudo terceiro mundista, e isso, pela proximidade, porque me diz respeito leva-me a ser cauteloso, mas avesso a essa mudança.
Mas, como sempre, as mudanças geram incómodos e contestações. A ver vamos, como diz o cego!

sattelite said...

Meu caro realmente não considero boa política este tipo de actuãção. Se de facto existem factores economicistas por detrás desta medida é ainda pior, corte-se na frota automovél do estado ou nas viagens dos deputados...

al cardoso said...

O que eu vejo pior no meio de tudo isto, e que os tais centros escolares a serem construidos, estao a ser todos construidos nas sedes concelhias, isso para mim e outra forma de centralizacao, pois se muitas aldeias nao tem criancas para manter aberta uma escola e, porque todas as criancas merecem as mesmas oportunidades, entao porque nao construir centros escolares mais pequenos, que podem agregar aldeias mais ou menos proximas, sempre era muito melhor do que levar todas as criancas para as sedes concelhias, com todos os males dai inerentes.
Mas como nas medidas economicistas ate ja se fala em extinguir freguesias e concelhos, vemos que o nosso (des)governo esta muito mais interessado em centralizar do que em descentralizar, o estranho e que e o mesmo partido que ainda ha relativamente poucos anos, queria regionalizar criando regioes de brincadeira.

TSFM said...

A minha opinião é algo parecido com a do nosso amigo al cardoso. Vamos supor o caso da Freguesia de Cunha Baixa: tem duas grandes aldeias, Cunha Baixa e Abrunhosa do Mato, mas tem poucas crianças. Inevitavelmente uma delas irá fechar, porque não as crianças nessa altura serem englobadas numa delas? Na que melhores condições tiver. A hipótese do Alex, saltar do guardafatos e fazer mais meninos, é porreira, mas o Estadao está apostado em poupar, não é como na Alemanha onde o Abono de Família é incentivador... Fica a intenção da Queca pela Queca

STONE69 said...

bem escrito.
gostei

GreenSky said...

Não temos alunos a menos, nem escolas a mais. Temos é um estado, que apesar de nos aumentar o IVA e imposto sobre os combustíveis, etc. Ainda não tem nota para pagar o que gasta, e eu não sei se é Ministros e deputedos a mais ou se é Ex-mininistros e Ex-deputados a mais. Sei que a corda não estica mas parte sempre pelo lado do Zé, sim o tal do braço dobrado com a frase "queres fiado...toma".

Anonymous said...

É sempre um assunto muito discutivel, mas sem uma grande profunda reflexão, leva-me a concluir que se o problema nao é escolas a mais, mas sim falta de alunos, devemos em 1º lugar criar uma politica de natalidade, até porque assim combate-se outros problemas...,2º e nao queria falar mutio disso, a desertificação do interior, 3º "em terra de cegos, quem tem olho é rei", bom podem vosses tirar as vossas conclusões...
quanto ao título - a Srª ministra, deve escrevelo assim:
"Abaixo a escola. Não faz falta!"
a minha opinião:
"Abaixo a escola? Não. Faz falta!"
Ass. XIII a.C.

GreenSky said...

Foste eleito, para teu azar, para expores cinco manias ou características tuas, eu martelei as do amigo JL. Passa lá no Domus para perceberes a coisa.

Anonymous said...

bom voltei apenas para aqui colocar um proverbio chines, que em poucas palavras diz muito.
"Se os teus projectos forem para um ano, semeia o pão. Se forem para dez anos, planta uma árvore. Se forem para cem anos, educa o povo."
A educação é para toda a vida...
Ass. XIII a. C.