Thursday, November 24, 2005

O Mito das "comichões"!


Estava hoje de manhã, ainda meio ensonado, numa reunião de trabalho, quando ouvi o meu chefe, como se estivesse a falar muito longe - "... meus amigos, a nossa principal preocupação neste momento são as "comichões"...". Como estava meio a dormir, não me quis preocupar muito com aquilo, mas ouvia-o dizer insistentemente, que era preciso aumentar as "comichões", que as "comichões" teriam que ser suficientes para pagar os nossos custos - sim porque é uma chatice os custos que um empregado representa para a instituição, se não custassem nada era fantástico, aumentava-se os parcos lucros de 40 ou 50 milhões de euros que a empresa tem apresentado - que não nos era permitido tirar uma "comichão", fosse a que cliente fosse e independentemente do valor dessa "comichão", que teriamos de fazer um esforço e vender todos os tachos, panelas, máquinas de café, televisões, faqueiros, computadores, carros e sei lá que mais produtos relacionados com a nossa actividade bancária!, o importante era vender o máximo para atingirmos todos juntos um valor tal de "comichões" que ninguém nos poderia parar! Nessa altura, senti-me afectado com tanta "comichão" e disse - Ó chefe para que raio é que nos precisamos de tanta "comichão"? Ao que ele me respondeu - Ah! não é "comichões" são as comissões amigo, o mais importante para nós são as comissões...
Então não é, que afinal sou um simples comissionista! Ora bolas! Durante anos pensei que era bancário!

10 comments:

TSFM said...

Um simples comissionista que tem que se pagar a si próprio e claro está receber a respectiva comissão para entregar ao patrão, que no final é o Grande Dono de todas as Comissões. Alíás, os nossos patrões são os unicos que têm o Livro : "A Arte de bem cavalgar toda a comissão". É meu amigo, nos bancos é assim, na profissão que eu tenho, querem que eu seja cada vez mais um "entretainer" social, cheio de pequenas manhas para ir sacar a comissão.

JL said...

Belo artigo. Mas é verdade amigo: atribuem-nos nomes pomposos para ficarmos de ego inchado, mas a nossa missão é só uma: vender, vender, vender! Afinal não é só uma: são três.

GreenSky said...

O Karl Marx descobriu isso á muitos anos, quem mama a maior comissão é o patrão. Nos ficamos com uma parte pequena, sempre foi assim e será.
Os bancos deveriam viver dos juros (comichões sobre a nota que nos emprestam), hoje em dia querem-no todo e como tal bombardeiam-nos com tudo (talheres, serviços de chá, televisões, etc)
Não são as "comichões" dos bancos que me apoquentam, mas sim as dos serviços publicos - qualquer dia pagamos uma taxa por respirar.

TSFM said...

Mas a melhor comissão recentemente descoberta é a :taxa municipal direitos de passagem. Uma taxa que em Mangualde nos fazem pagar no valor de 0.057€. Chama-se a isto Gatunagem, pura e dura. Por esta ordem eu devia cobrar o aluguer do meu quintal onde estão dois postes da PT que levam as linhas para os outros vizinhos. Passam naquilo que é meu, carago e eu não cobro nada...Cambada de chulos, e ainda por cima as acções da PT estão com uma cotação que bem podem limpar as mãos à parede.

Passarinha said...

olha, eu tb gostei do Codigo Davinci! só n gosto é do fundo pretop do teu blog, é mt triste!

Al Guem said...

AS comichões, a teoria da constipação...
Enfim preocupações das instituições que mais ganham nas épocas de maiores crises...
Aaahhh... já me esquecia... os bancos agora vendem tudo.
Acham justo que vendam talheres, tachos e panelas, computadores, e outros produtos que não são especialidade sua, fazendo concorrência aos estabelecimentos especializados na matéria. Pois eu acho que não deveriam ser autorizados a fazer este tipo de comércio.

Terreiro said...

É só uma questão de comunicação. Muitos para compreenderem tem que se fazer um filme, outros um desenho outros ... bem outros ... é como a anedota:

Está um preto numa caixa de um banco para levantar um cheque já há algum tempo numa discusão teimosa com o caixa.
- Porque eu não pode levantar os dinheiro?? Os patrão assinou os cheque tã ver tudo direito porque tem eu de assinar no trâs. Os patrão já assinou. É por eu ser preto se fosse branco não precisava assinar.
- Mas meu caro senhor não é nada disso.. respondia o caixa....- É norma em todos os bancos. Para levantar um cheque tem de assinar por trás.
- Mas porque tem de assinar se os patrão já assinou eu não assina nada...
Como a fila entretanto estava longa e as pessoas começavam a impacientar-se um sujeito que tinha chegado naquele momento espreitou a ver o que se passava e deparou com o diálogo e resolveu intervir.
- Ó preto do caral*o, assina já o cheque se não levas um bico no cú seu cabr** filh+ da p*+...........
O preto olha para o caixa e diz.
- Está ver o senhor é um ingorante, este senhor aqui é que ixpilica bem...

Meu caro é tudo uma questão de "Comichões" é claro que a este senhor lhe estava a morder o pelo.

luck said...

Amigo Norte:
Este estudo é extenso mas vale a pena partilha-lo…. Não fosse o patrão o mesmo…
“Em Portugal, no ano de 2004, a percentagem do PIB (riqueza criada em cada ano) que reverte para os trabalhadores sob a forma de remunerações atingiu apenas de 40%, enquanto a média na União Europeia rondou os 51%. No nosso País 73% da população activa recebe apenas 40% da riqueza criada, o que revela um grau de desigualdades muito elevado.

Se se fizer o mesmo tipo de análise em relação ao sector bancário conclui-se que, em 2004, de acordo com dados publicados pelo Banco de Portugal, as remunerações dos trabalhadores bancários, retirando as contribuições patronais para os fundos de pensões e para a segurança social, a fim dos dados poderem ser comparáveis com os anteriores, deverá ter rondado apenas 30% do VAB (Valor Acrescentado Bruto) do sector bancário, tendo descido 5 pontos percentuais desde 1998, ou seja, a desigualdade na repartição da riqueza era ainda mais grave do que a nível nacional e tem-se agravado ao longo dos anos.

Em 2004, os impostos sobre lucros pagos pela banca ao Estado foram inferiores, mesmo em valores nominais, aos de 1998, tendo representado, em 1998, 22,8% dos lucros antes de impostos e, em 2004, apenas 12,1% ou seja, metade da taxa de IRC em vigor nesse ano. No período compreendido entre 1998 e 2004, a banca pagou de impostos sobre lucros ao Estado 2.815 milhões de euros, mas arrecadou 14.363 milhões de euros de lucros líquidos, ou seja, cinco vezes mais do que os impostos pagos, o que mostra que a privatização da banca foi um mau negócio para o País, mesmo em termos financeiros, porque se a banca fosse pública uma grande parte destes lucros constituiriam receitas do Orçamento do Estado, contribuindo para reduzir o défice orçamental.

Num estudo anterior, utilizando dados do Eurostat e do Banco de Portugal mostramos que, entre todos os países da União Europeia, era precisamente em Portugal que a parte do PIB (Produto Interno Bruto), ou seja, da riqueza criada em cada ano que reverte para os trabalhadores sob a forma de remunerações era mais baixa. Efectivamente, em 2004, enquanto na UE25 essa parte representava, em média, 51% do PIB, em Portugal era apenas de 40%.

Os resultados da actividade bancária resultam, em primeiro lugar, da diferença entre os proveitos financeiros que a banca obtém pelas aplicações que faz (por ex.: juros que cobra pelos empréstimos que realiza) e os custos financeiros resultantes dos recursos que capta (por ex., juros que paga aos depositantes). A esta diferença chama-se MARGEM FINANCEIRA (MF). Se se adicionar à MF os proveitos dos rendimentos dos títulos e dos serviços bancários que presta (por ex., comissões que cobra por cada transferência, por cada empréstimo, etc), obtém-se o chamado PRODUTO BANCÁRIO.

É com este Produto Bancário, obtido desta forma, que os bancos pagam os chamados custos operativos, que incluem os Custos com Pessoal e os com Fornecimentos e Serviços de Terceiros (FST), ficando o resto para amortizações, provisões, impostos, e lucros. Portanto, se retirarmos ao Produto Bancário os Custos com Fornecimentos e Serviços de Terceiros obtemos aquilo que praticamente coincide com o VAB que se obtém para os outros sectores.“


ENTRE 1998 E 2004, A PERCENTAGEM QUE OS CUSTOS DE PESSOAL REPRESENTAM NO VAB DO SECTOR BANCÁRIO DIMINUIU 11,6%, MAS A PRODUTVIDADE POR TRABALHADOR AUMENTO 57,5%

Speekcs said...

Sr. TSFM, O CONSELHO QUE LHE DOU É MUITO SIMPLES, TEM QUE PEDIR UMA "COMICHÃO" HÁ PT, E NO CASO DE LHE SER ATRIBUIDA , É FAVOR DE AVISAR O PESSOAL, É QUE UMA "COMICHÃO" EXTRA VEM SEMPRE A CALHAR, POIS EU TAMBEM TENHO UM POSTE DA PT NO MEU QUINTAL, E LOGO NO MEIO DA QUELHA, O QUE É UM GRANDE "ESTORVILHO", E OUTRO DA EDP NUMA MATA, ESTE JÁ SENTIU A LAMINA DO MOTOSERRA NUMA MANHÃ DE RESSACA, AO QUE O MEU PAI ME DISSE: " ABRE OS OLHOS, ISSO NÃO É UM PINHEIRO, É UM POSTE DE ALTA TENSÃO ", EU É QUE DEVIA ANDAR COM A TENSÃO BAIXA.

Anonymous said...

Muito bem, mas agora quero apenas desejar-te um Santo e Feliz Natal, com ou sem comichoes, com ou sem conspirações, tambem não é importante os aumentos, nem as cruzes, muito menos o que diz o IPQ mas, que seja com muita qualidade.FELIZ NATALVotos do teu amigo, sempre...
Ass. XIII a.C.